Café Luso (resumo histórico)

    O Café Luso, fundado em 1927, mantendo-se em actividade, é a casa de fado mais antiga de Lisboa. Na génese deste tipo específico de salões, o Fado serve-se com comida e bebida. O conceito evoluiu, a comida tornou-se igualmente central. Hoje em dia esta e outras casas de fado rivalizam com os melhores restaurantes da capital. Entre as décadas de 40 e 60 do século XX, o Café Luso celebrizou-se por aqui se realizarem concursos que catapultaram muitas vozes e instrumentistas. Resultou daí o princípio de que os sucessivos elencos do Café Luso se caracterizem por ser intergeracionais, estimulando a partilha e assegurando o testemunho. Constitui-se “escola” e plataforma de oportunidade para muitos talentos. A lista de nomes que aqui se estrearam poder-se-á dizer exaustiva. Dois exemplos de peso: a estreia de Tony de Matos em 1948 e a de Fernando Maurício em 1954.

    Fado, Tradição sem Tradução

     

    Adega Machado (resumo histórico)

    A Adega Machado abriu em 1937. Foi a segunda casa de fado a abrir no Bairro Alto, mas a primeira a apresentar espectáculo diário. O sentido iconográfico patente na decoração exterior em azulejaria (hoje património municipal protegido), nos registos fotográficos acrescentados ao longo de décadas e nas obras de arte incorporadas, imprimiram valor museológico que muito transmite das vivências neste estabelecimento, entre proprietários, artistas e visitantes. Visitar hoje a Adega Machado e espreitar aquilo que se pode designar por “janelas do passado” possibilita viajar pela história do próprio fado, sendo aqui muito vincada a presença da Diva do Fado, Amália Rodrigues, e das gerações Marceneiro, com particular destaque para o Ti Alfredo. A Gerência Fado & Food Group tomou a responsabilidade deste autêntico monumento em 2011, ano em que se iniciou a profunda remodelação que conduziu à reabertura em Junho de 2012.

    Guarda Segredos que se Cantam

     

    Timpanas (resumo histórico)

    A casa de fado Timpanas, de 1961, situada numa artéria principal do Bairro de Alcântara, bebeu nome no fonofilme “A Severa”, levado ao celulóide exactamente trinta anos antes, 1931. Tendo sido idealizada numa outra época de fulgor do Fado, quinze anos depois da Família Forjaz ter dado realidade a um sonho, em 1976, os sócios Armando Fernandes e João Ribeiro Fevereiro asseguraram continuidade ao tomarem as rédeas durante os quarenta anos que se seguiram até ao Presente. Hoje, o Timpanas tornou-se um farol que se acende cada noite para nos transportar ao Fado, quando outros, que existiam neste bairro, se apagaram (na porta ao lado, A Cesária, encerrou em 1988; reza a história que ali teria cantado pela última vez a mítica Maria Cesária, em 1877). O Timpanas, mantendo-se fiel às origens, soube adaptar-se aos novos públicos. De templo de consumo nacional tornou-se procurado mundialmente, e ainda hoje é também respeitado entre a gente do meio. Como exemplo, periodicamente, desde 2004, realizam-se aqui as sessões da associação cultural “O Patriarca do Fado”, que atesta a ligação forte do clã Marceneiro a esta Casa, tendo sido até agora prestadas homenagens a diversos vultos do fado, com Alfredo Marceneiro à cabeça, claro está, e outros; citemos Ada de Castro e o Prof. Joel Pina.

    A Noite Transporta ao Fado